sábado, 19 de novembro de 2011

Democracia - para o bem da maioria

Quando se ouve uma discussão sobre qual o modelo político que melhor serviria um país, é frequente ouvirmos dizer que esse modelo é a democracia. Há quem diga que o ideal é a anarquia, mas este é um modelo utópico... entrarei na utopia mais tarde, noutra mensagem.
Tive um amigo que era defensor da anarquia e via no comunismo a forma ideal de disciplinar o ser humano. Uma forma de preparação. A disciplina prepara-nos para a total desregulação. Tínhamos cerca de 15 ou 16 anos. Eu ri-me. Compreendi o que ele queria dizer mas disse-lhe que não fazia sentido. Anos mais tarde comecei a pensar se ele não teria razão. Hoje mantenho a posição inicial. Não faz qualquer sentido. Castigar alguém antes de cometer uma falha não é muito pedagógico - a pessoa comete a falha na mesma porque já foi castigada ou se não a cometer terá sido punida sem justificação. O comunismo, é uma forma de ditadura, uma imposição de conceitos que alguém se lembrou de considerar como justos. Não vou discutir a bondade dessas considerações, apenas referir algo que é considerado como verdade absoluta - a menor liberdade em nome do bem comum, ou do bem da maioria.
A sociedade, o grupo, o rebanho, a floresta, o cardume, são produtos da nossa imaginação. São conceitos abstractos. A árvore é física. A floresta é um conceito. O mesmo se pode dizer da sociedade. O indivíduo é algo físico. O grupo ou sociedade são conceitos abstractos. Pura imaginação. Fruto daquilo que deveria nos distinguir do resto do reino animal mas que muitas vezes nem parece fazê-lo do reino mineral - a razão.
Quando damos mais importância ao bem comum, retirando liberdade ao indivíduo em prol da comunidade, retiramos ao real para dar ao imaginário. E desde criança que sempre ouvi dizer que a imaginação não passava disso mesmo... Se há muitos que não pagam os impostos, vamos cobrar mais aos que pagam. A velha estratégia da justiça democrática. Pelo bem comum vamos virar os que pagam de pernas para o ar e esperar que o resto dos troquinhos caiam para serem apanhados na rede das necessidades imaginárias da sociedade onde o dinheiro desaparece qual passo de magia, ou imaginação...

Democracia - o poder da maioria, para o bem da maioria, a vontade da maioria... mas a maioria não quer saber...

Dizem-nos que temos a oportunidade de julgar os nossos representantes de tantos em tantos anos, que temos o poder de decidir o que queremos. Mas quantos políticos cumprem o que prometem? Nenhum. Até agora. E provavelmente até ao fim dos tempos nenhum cumprirá. Há sempre desculpas. E nós podemos pará-los de quatro em quatro anos colocando lá outro que fará o que quer, quer tenha prometido quer não.

Há anos que acompanho a política. Nunca, como no presente, me revoltei tanto. A conversa sobre as medidas de austeridade para o nosso bem. A conversa de que devemos e, como pessoas honradas, temos de pagar. Se a minha querida mãe decidisse gastar um milhão de euros em compras, porque tinha perdido a cabeça (sabes-se lá onde ia arranjar o milhão, mas é um número engraçado...) eu ficaria responsável por essa dívida? Se os meus filhos fizessem o mesmo, eu seria responsável por essa dívida? Se eu dissesse a qualquer um deles para se endividarem em um milhão, comprando camarão e lagosta e um belo vinho verde, e eles comprassem roupa, seria responsável? Se comprassem meio milhão, eu já me sentiria responsável por esse valor. Não é o que se passa com os políticos? Endividam-se em nosso nome, mas não foi isso que lhes pedimos. Antes pelo contrário. Pedimos-lhes que pusessem as contas públicas em ordem e eles riram-se. Consigo imaginá-los com os seus dedos cruzados atrás das costas enquanto nos mostram um ar solene e mentem por entre todos os dentinhos que têm, sejam os verdadeiros ou os do consultório do Dr. Maló.

É esta a vontade da maioria?

Todos queremos tudo de graça. Não queremos pagar nada. Queremos a melhor saúde do mundo de borla. Queremos a melhor educação do mundo de borla. Queremos auto-estradas no meio das cidades para visitarmos os nossos queridos paizinhos sem portagens. Queremos institutos para tudo, inclusive para o que não queremos. A isto chama-se democracia.

A vontade da maioria.

A estupidez da maioria...

A maioria decide. A maioria decide estupidamente...

1 comentário:

Tita disse...

potente e corajoso. gosto disso. Não sei se concordo se discordo ou se simplesmente me choca...Vou pensar sobre isso.